04/01/2018

Profundidade em vez de largura - o problema de ter muitas escolhas

Esta manhã, ao ler este post do Leo Babauta, fiquei muito feliz por alguém estar na mesma onda que eu! Como escrevi no meu post anterior, tenho imensas ideias, quero fazer imensas coisas, e isso só me atrapalha. Pelos vistos, o Leo também sente o mesmo e inspirou-se neste post do David para fazer de 2018 um ano de profundidade.

Diz o David que o Depth Year baseia-se na ideia de mais profundidade, não alcance. Isto traduz-se em não arranjar hobbies novos, não comprar jogos novos nem livros novos. Em vez disso, devemos encontrar valor naquilo que já temos ou naquilo que já começámos. Vamos melhorar as nossas competências em vez de aprender novas. Vamos ler livros que já temos e ainda não lemos, ou reler os favoritos, em vez de comprar novos. Vamos pegar novamente na guitarra em vez de iniciar um novo instrumento. Vamos acabar aquilo que já começámos em vez de comprar outra coisa semelhante só porque está em saldo... A filosofia é ir mais fundo, não mais amplo.

Adoro esta ideia, que está em linha com aquilo que sinto e que está por trás de uma filosofia de vida minimalista. O problema é que nesta era do consumo e da informação em que vivemos temos demasiadas escolhas, em todo o lado. E isso, em vez de nos abrir horizontes, restringe-nos. Em vez de aprofundarmos os nossos conhecimentos, fazemos muitas coisas, sim, mas superficialmente. Há uma expressão inglesa que adoro e que reflete bem isto: we spread ourselves too thin... fazemos tanta coisa que o nosso tempo e a nossa energia não são bem aproveitados. Não criamos valor, não evoluímos. Pelo contrário, quando nos impomos limites, dedicamo-nos a menos coisas e conseguimos aprofundá-las.

Tal como escrevi no post anterior, em 2018 a palavra de ordem é consistência. Quero dedicar-me a poucas coisas, mas fazê-las bem. Vou expandir a ideia um pouco, dando alguns exemplos de áreas da minha vida (tenho outras coisas que quero e não quero fazer, mas ficam estas como exemplo)...

1. YOGA

O que não quero: Fazer aulas com professores que não me dizem muito, praticar estilos que não gosto, gastar dinheiro em retiros, workshops, cursos que vão adicionar pouco valor à minha prática e à minha vida. E sobretudo, pagar subscrições de yoga online que não uso!
O que quero: Ashtanga vinyasa yoga na tradição de Pattabhi Jois. Ponto final. Ao dedicar-me apenas a esta prática, poderei aprofundá-la mais, que é o que pretendo.

2. GINÁSIO

O que não quero: Não gosto de aulas de grupo, não as quero fazer. Não vou fazer planos de treino complicados e longos só porque foi o que o PT me passou. Não vou fazer máquinas de glúteos para ficar com o rabo enorme, embora seja isso que vejo a maior parte das mulheres a fazer. Não vou pagar uma mensalidade para ir só uma vez por semana. 
O que quero: Vou voltar para o ginásio que tem sistema de senhas e assim só pago o que uso. Esse uso, para mim, é ir uma vez por semana fazer exercícios compostos (agachamento, peso morto, supino, elevações, coisas dessas).

3. NATAÇÃO

O que não quero: huum... tenho sido tão dedicada e focada na natação, que não me lembro que coisas que estejam erradas e que não queira fazer... 
O que quero: Continuar a ir assiduamente às aulas e nadar mais uma ou duas vezes por semana sozinha. É tão simples, a natação...

4. ALIMENTAÇÃO

O que não quero: Stressar-me demasiado por causa do chocolate... mas não quero comer chocolate à parva, só porque sim. Há momentos para tudo. 
O que quero: Manter a minha alimentação alinhada com os princípios do paleo/primal. Comer chocolate quando sinto que vai ser benéfico. O chocolate para mim é como o tabaco para muita gente - ajuda a diminuir a ansiedade. Em alturas de maior stress, de exames, de muito trabalho, acalma-me, centra-me, faz-me bem psicologicamente. Por isso, why not?

5. CONSUMISMO

O que não quero: Comprar coisas que não preciso, sobretudo livros para ler quando tenho imensos que ainda não li. Não quero comprar nada que não seja mesmo essencial.
O que quero: Ler todos os livros que tenho em casa que ainda não li. Quando se acabarem, ir buscar livros à biblioteca. Comprar roupa só se precisar mesmo de alguma coisa. 


Estes são alguns exemplos, mas há várias outras áreas da minha vida que quero simplificar. Vou mudar de casa em breve e a mudança vai facilitar a simplificação material - há muita coisa que não vou levar para a casa nova e vou conseguir mudar e simplificar algumas rotinas (embora a logística de outras coisas se vá complicar). Mas isso será assunto para os próximos posts!


6 comentários:

  1. Rita, é bom vê-la novamente focada. Acompanho o seu blog há algum tempo e serviu-me muito de inspiração mas a dada altura senti-a muito longe do que defendia. Muita coisa na teoria e na prática uma vida confusa e desfocada como tantos de nós. Já vi que fez a reflexão que faltava e vai voltar a trazer-nos bons conselhos e inspiração :) Não estou a criticar, atenção. Mas lembro-me por exemplo dos seus imensos posts sobre sistemas de agenda por exemplo e revi-me neles porque eu também perco imenso tempo a organizar-me e a fazer listas a fingir que estou a ser mega produtiva quando na prática não estou a fazer o que realmente devia. Bem, aderi à séria às agendas da Mr Wonderful (sim, sou uma parola, adoro bonecada e brilhos) e não perco mais tempo com isso. E quanto ao resto estou alinhada com a Rita. Pouco consumismo (ainda ontem fui aos saldos e acabei por vir de mãos vazias porque pensava sempre no monte de roupa que ainda tenho e decidi não comprar nada sem ver primeiro se preciso mesmo de alguma coisa), livros novos só no ereader, nada de hobbies que não vou cumprir. E pronto! Bom ano :D

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  2. Me encaixo numa música que diz " eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal"... saber pouco de muito não é o que queria. Mas a lista dos meus interesses cresce rapidamente. De uns tempos pra cá vejo a necessidade de manter o foco. Concordo com vc. Eu já te acompanhava a tempos, mas ultimamente tenho relido seu blog... Estou gostando ainda mais dele. Comentar nos blogs que acompanho entra como novo objetivo. Não expandir a quantidade de blogs que leio... mas ser mais participativa naqueles que estão na minha lista. É bom ver você sempre crescendo e se tornando cada dia melhor.

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  3. It's "We spread ourselves too THINLY." :-))

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    1. I'm not a native speaker, but the definitions I see online are for "spread oneself too thin", not "thinly". For instance, https://idioms.thefreedictionary.com/spread+too+thin

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    2. Rita: yes, a lot of dictionaries do list "too thin". We always used "too thinly" as "thin" is an adverb linked to "spread". American-English tends to drop the "ly" off adverbs so we get "too slow" etc. I think the latter is now dominant because of the spread of American-English. Interesting.

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  4. Just like me.....Beijinhos Rita e bom ano !

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Obrigada pelo comentário!

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