20/05/2016

Revisitando os meus sapatos

Só agora me apercebi que este blog fez 5 anos no passado dia 18, há 2 dias atrás! Bem sei que já não escrevo como escrevia, não por falta de vontade ou por não ter nada para escrever, mas sim por falta de tempo... Desde que me meti na licenciatura em Psicologia, o tempo que eu dispendia a pesquisar e a escrever para o blog é agora passado a estudar, a fazer trabalhos... enfim, vida de trabalhadora-estudante, mãe, e outras coisas é assim...

Mas agora que tenho um tempinho vou relembrar um dos posts que mais gostei - aquele em que mostrei como diminuí a minha coleção de sapatos. Ora, na altura, em setembro de 2011, tinha 55 pares de sapatos. Estava a iniciar-me no minimalismo, entusiasmada em simplificar as coisas, e consegui desapegar-me dos sapatos e livrar-me daqueles que não usava ou que não eram confortáveis. Nessa altura, reduzi o número de sapatos para 33 pares.



Pouco tempo depois, minimizei ainda mais os sapatos.

Desde essa altura, nunca mais deixei acumular. Perdi o interesse em comprar sapatos para colmatar outras coisas... perdi o interesse em gastar dinheiro em coisas que não preciso... Abracei mesmo o minimalismo e isso tem-se mantido até agora.

Atualmente, tenho 24 pares de sapatos. Ei-los na foto abaixo (as sapatilhas em baixo à direita foram fora; estavam demasiado velhas e as solas descoladas; tenho ainda umas botas castanhas de cabedal que estão guardadas e não aparecem na foto).



Quando olho para as fotos antigas, sim, tenho saudades de alguns dos sapatos. As sabrinas vermelhas, por exemplo. Mas se bem me lembro, faziam doer os pés... Pelo menos 8 pares já tinha na foto de 2011 e ainda os tenho - estão a durar!! Livrei-me de muitos outros sapatos e fui comprando alguns pelo caminho. Destes 20 e tal pares, não calço todos. 

Os 2 pares de sapatos fechados de salto alto e as sandálias castanhas de cunha não uso (os pares 3, 4 e 5 da fila de cima, da esquerda para a direita). As sandálias pretas ao lado raramente... 
Passei o inverno praticamente todo com os dois pares de botas da fila de trás, umas pretas, outras beges. 
As sabrinas, uso e gosto, mas este ano parece que passámos da chuva diretamente para o verão, ou seja, das botas para as sandálias. 
E quando é preciso um calçado mais fechado, a minha escolha vai a para sapatilhas - essas duas all star da frente são as minhas preferidas. 
Relativamente às sandálias, vejo um par que não uso e dois que precisam de substituição (as sandálias castanhas e brancas da fila do meio). 
E só tenho 2 pares de chinelos, os azuis e os pretos do lado direito da foto.

Olhando para a foto, reconheço que preciso de ir às compras. Mas agora, em vez de comprar só por comprar, compro porque preciso mesmo. Para ser mais exata, as sandálias castanhas e as brancas  (ao lado das sabrinas) estão em muito mau estado; duvido que aguentem mais um verão. Também preciso de um par de chinelos; os chinelos pretos da foto (no lado direito, fila do meio) foram comprados no Jumbo há uns dois anos e têm-se aguentado muito bem, mas é hora de arranjar outros; estes ficam para a praia.

Vinte e poucos pares de sapatos, é isto. E não os uso todos! Será que consigo minimizar ainda mais??

09/05/2016

O minimalismo nos dias de hoje

Enquanto o meu tempo não estica ou as minhas obrigações diminuem... para o blog não ficar pendurado, aqui tens uma excelente leitura! 

É um guest post da Ana Martins, que escreve sobre minimalismo e outras coisas no Ana, Go Slowly.

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O minimalismo enquanto estilo de vida tem vindo a ganhar cada vez mais novos adeptos.
Apesar de em Portugal se ter começado a ouvir falar deste estilo de vida em 2012/2013, ultimamente o tema tem sido divulgado junto do grande público e não apenas junto de certos nichos de mercado como anteriormente.
Parece-me que nunca numa altura como agora o minimalismo fez tanto sentido.

Vivemos numa sociedade de extremos.

Se por um lado temos cada vez mais a cultura do fast e isso tem-se sentido sobretudo devido ao desenvolvimento das tecnologias de informação que vêm acelerar a nossa vida em todos os aspectos, e também na indústria da moda, em que cada vez mais lojas apostam em peças mais baratas e de menor qualidade para serem mais acessíveis a todos e permitirem que se compre uma maior quantidade de roupa.
Por outro lado surgem cada vez mais movimentos opostos: slow food, slow fashion, slow living...

Também acho que não é por acaso que o método konmari tem tido tanto sucesso em todo o mundo…

Andamos todos cansados de termos tantas coisas para fazer e tantos objectos para cuidar… E precisamos desesperadamente de ajuda!

Com a correria das nossas vidas e com a panóplia de responsabilidades e papéis que vamos assumindo (papéis na vida real e na vida virtual), diria que é expectável que queiramos reduzir algumas coisas na nossa vida.

As solicitações chegam de todo o lado, há cada vez mais coisas novas e queremos estar a par de tudo. Todos os dias há novas formas de mantermos contacto com amigos e desconhecidos e o nosso telefone não para de piscar.
Tudo está à distância de um clique ou de um toque. E se isso pode ser bem vantajoso às vezes, na maioria das vezes é esmagador!

Queremos corresponder às expectativas de todos, afinal todos respondem a tudo imediatamente, comparamos cada vez mais a nossa vida à dos outros e depois sentimo-nos mal.
Como é que ela é mãe de duas crianças, tem dois cães, trabalha, faz voluntariado e ainda tem tempo para correr?
Queremos ser capazes do mesmo! E ficamos super desiludidos e aborrecidos connosco próprios por não conseguirmos acompanhar.

Num cenário como este, o "menos" é urgente!

Não é só o nosso corpo que tem que descansar, a nossa mente também! Não chega descansar a mente apenas 7 ou 8 horas por dia no momento em que dormimos. Além disso, andamos tão agitados todo o dia que depois temos dificuldade em adormecer!
Por isso nunca se falou tanto em meditação e em mindfullness. São diversos os estudos que compravam os seus benefícios e numa vida agitada como a que vivemos, nem precisamos de ler as conclusões desses estudos para perceber que todos ganharíamos com a inclusão destas práticas nas nossas vidas.

E é neste cenário que surge o minimalismo enquanto parte da solução para nos ajudar a manter uma vida onde menos é efetivamente mais.
Mesmo que não queiramos abraçar este estilo de vida por completo, há sempre pequenas coisas que podemos ir adoptando.

Muito resumidamente o minimalismo diz-nos que devemos viver com o essencial, aquilo que nos faz realmente felizes e que nos faz sentir bem.
Mas nem sempre é fácil fazer esta análise, pois estamos de tal forma condicionados que muitas vezes consideramos o acessório como essencial. É preciso libertarmo-nos daquilo que nos é imposto, pararmos um pouco e pensarmos: o que me faz realmente falta? Não conseguiria viver sem…?

Apesar de já ter adoptado este estilo de vida em 2012, 4 anos depois continuo como toda a gente a ser posta à prova diariamente.
Afinal não vivo isolada do mundo, continuo a viver numa grande cidade, a trabalhar, a ter uma família e uma casa normal como toda a gente.
Mas é justamente aqui que aplicar o minimalismo nos poderá ajudar.
Quem vive no meio da natureza não precisará certamente de minimalizar a sua vida.

Como podes aplicar o minimalismo na tua vida em 2016?

Roupa
Adopta um armário cápsula - escolhe cerca de 30/35 peças a cada 3 meses e vive apenas com essas peças. Mais sobre este assunto aqui.
Adopta um uniforme - imagina que gostas de usar calças de ganga, t-shirt/blusa e ténis. Este pode ser o teu uniforme. Tendo isto em mente é muito mais fácil decidir o que vestir, basta ires mudando as peças.
Livra-te da roupa que já não te serve mas que ainda acreditas que algum dia te irá servir, da roupa que usaste apenas uma vez e daquela que nunca usaste.

Compras
Da próxima vez que comprares roupa compra algo que estejas a precisar, que adores e que te faça sentir bem. Prefere peças que são fáceis de cuidar e que não precisam de ser passadas a ferro.
Compra peças versáteis, por exemplo casacos que dão para todo o ano: no inverno usamos o casaco com a parte interior e no verão retiramos.
Faz uma lista em papel ou no telemóvel (até pode ser na loja online que estiveres a ver) com tudo aquilo que queres comprar. Após 30 dias volta à lista e vê se ainda queres comprar todos os itens.

Dia-a-dia
Tira tudo da mala/mochila: papéis, talões, cartões, agenda, lenços, etc e faz uma limpeza. Precisas mesmo de andar assim tão carregado(a)? Lembra-te daquilo que é realmente essencial e que usas diariamente.
Se ainda não tens esse hábito mantém uma lista diária com aquilo que tens que fazer. Se pelo contrário te vicias rapidamente em listas , mantém apenas aquilo que é mesmo importante e elimina o resto.

Cozinha
Tira tudo dos balcões (podes arrumar nos armários) - esta dica foi de facto a que fez mais diferença na minha cozinha, passei a ter espaço para cozinhar devidamente.
Mantém apenas a louça/utensílios que usas.
Se recebes frequentemente gente em casa guarda as coisas extra em armários menos acessíveis.
Mais dicas aqui.

Telemóvel
Desinstala as aplicações que raramente ou nunca utilizas.
Desliga o máximo de notificações - nós não nos esquecemos de consultar as nossas apps favoritas. Por isso para quê manter as notificações? Quando lá formos vemos tudo. Interessa sim manter alertas para determinadas tarefas que temos que fazer ou determinados compromissos (de trabalho ou pessoais).

E-mail
Coloca todos os teus compromissos numa agenda e sincroniza com a agenda do trabalho, de outros familiares, etc.
Aplica filtros no e-mail e organiza logo os e-mails quando os recebes.
Mantém a caixa de entrada a zero.

Computador
Mantém o ambiente de trabalho limpo (sem pastas ou ficheiros). Se necessitares deixa apenas os atalhos das coisas mais utilizadas (os atalhos não sobrecarregam o computador).
Desinstala/apaga o que não interessa (programas, documentos, fotografias).
Faz backup das fotos e documentos importantes (podes guardar na dropbox)
Elimina tudo o que está na reciclagem.

Papel
Guarda apenas aquilo que tem mesmo que ser guardado (papéis IRS, coisas do banco; escritura da casa; certificados de cursos).
Tudo o resto pode ser digitalizado e guardado no computador ou online (evernote, google drive, dropbox).
Livra-te de caixas de telemóveis, electrodomésticos e outras que tenhas guardadas.

Limpezas
Elimina os 1001 produtos que utilizas e usa apenas vinagre e bicarbonato de sódio.

Lembranças
Tira uma foto à lembrança e guarda apenas a foto. Se gostares mesmo do objecto pensa em expô-lo num sítio bonito e visível da tua casa.

Mente
Pega num papel e escreve todos os teus compromissos diários/mensais. Elimina os menos importantes e aqueles que só te dão chatices.
Começa a meditar nem que seja apenas 2 minutos por dia - a meditação é uma espécie de declutter mental. Aos poucos vais ver que as cismas e o a tendência de estar sempre a pensar no passado/futuro desaparecem.
Planeia tempo para não fazer nada, nem que seja apenas 5 minutos por dia. Fica apenas contigo por alguns momentos, se te custar muito não insistas, volta a tentar no dia seguinte.
Cerca de uma hora antes de te deitares começa a dizer ao teu corpo que é hora de dormir, desliga a net, e tenta fazer algo relaxante.
Foca-te nas coisas boas sobretudo em dias que correm menos bem.

Em jeito de resumo, foca-te nas tuas coisas favoritas e reduz aquilo que não interessa e que não te faz feliz.

Uma vida mais simples, mais organizada, mais de acordo com aquilo que gostamos e com aquilo que somos, traz uma tranquilidade e paz de espírito enormes.


Vamos minimalizar? 

26/03/2016

Os excessos

Há uns meses juntei o útil ao agradável e enquanto tenho os miúdos no treino de judo, aproveito para fazer aulas de grupo no ginásio. Já fiz jump, piloxing, piloxing KO, pilates (que fiz durante muito tempo antes do yoga), alongamentos, fit mix, local mix, e coisas com nomes deste género (aulas de "aeróbica" e "step" como havia antigamente já não existem...). Além das aulas que faço como aluna, também dou aulas de yoga noutro ginásio. Significa isto que tenho passado muito tempo em ginásios. E, como cientista que sou, gosto de observar. E o que observo é o exagero das pessoas com o exercício físico.

Há pessoas, mulheres, sobretudo, que vejo no ginásio todos os dias e fazem não uma, mas 2, 3 ou todas as aulas que houver... Saem de uma aula para a outra, suadas e cansadas, mas não desistem. É isto todos os dias. Querem emagrecer, ficar em forma. Mas será que este ginásio todo resulta? Pelo que vejo, na maioria dos casos não resulta. Não vejo ninguém a ficar mais magro e depois das festas os quilos a mais são bem visíveis. O cansaço está estampado no rosto, porque além do ginásio, estas mulheres têm trabalhos, filhos, casas para cuidar. Em termos de flexibilidade, até me arrepia ver miúdas de vinte e poucos anos que nem por nada conseguem tocar nos dedos dos pés.

Nos meus tempos de musculação, sempre ouvi e li que o melhor são treinos curtos e intensos. No cardio, isso também se vê no HIIT e no Tabata. Muita intensidade num curto período de tempo. É o que nos dá um corpo forte e saudável. Lembro-me do exemplo que o Mark Sisson dá no seu livro relativamente a isto - é só comparar o corpo de um maratonista com o corpo de um atleta dos 100 metros. Quanto mais a distância de corrida aumenta (e o tempo de treino), mais a massa muscular diminui e, na minha opinião, diminui também o bom aspeto físico.

A sério que acho que muitas mulheres portuguesas andam a matar-se no ginásio. Aulas, aulas e mais aulas, mas resultados pretendidos (emagrecer, ficar em boa forma física, ter um corpo de biquini invejável), nada. É aulas de manhã antes do trabalho, aulas à tarde depois do trabalho, dietas, dietas, e mais dietas, mas onde estão os resultados? Passa-se aqui algo de muito errado.

Como em tudo na vida, no exercício físico o que funciona é o caminho do meio. Nem 8 nem 80. Acho que toda a gente sabe isto, mas aquela crença do quanto mais melhor continua lá no fundo do cérebro e é difícil eliminá-la.

Quem se lembra dos 3 quilos que eu perdi o ano passado quando estive um mês de férias? Não pus os pés no ginásio e fiz muito menos yoga do que gostaria, mas mesmo assim perdi 3 quilos. Como? Olhando para os registos que fiz desse mês, a resposta é claríssima: comi menos, tive cuidado com a comida, sobretudo com os hidratos de carbono complexos, e mexi-me bastante todos os dias. Andava a pé, fazia pinos na praia, jogava raquetes, nadava... Foi a combinação de cuidados com a alimentação e um estilo de vida ativo. Foi isso que me fez perder 3 quilos num mês. Não foi passar horas a fio no ginásio.

É claro que as pessoas são diferentes e o que resulta para uns pode não resultar para outros. Mas eu, de facto, quando me sinto melhor é quando ando mais a pé, quando brinco mais, quando faço atividade física não planeada. Desisti das 3 aulas por semana que andava a fazer no ginásio (piloxing KO, jump e pilates); a partir de agora vou fazer só uma aula de jump, porque acho mesmo piada, e uma de alongamentos sexta à tarde (fiz a semana passada e soube-me muito bem, para fechar a semana). Continuo com a minha prática de yoga matinal, claro. E o que tenho feito agora e quero continuar é andar a pé. E com esta vista, andar a pé é um prazer!

17/03/2016

Largar tudo e ir por aí



Foi o que fiz esta manhã. Fui trabalhar, mas não me estava a sentir bem. Psicologicamente bem. Precisava de sol. O sol brilhava lá fora, mas o meu gabinete é escuro. Estava a sentir-me mal. Peguei nas coisas e voltei para casa. Vesti leggings, calcei sapatilhas, e fui andar a pé. Com o sol a bater-me na cara. Aahh!

Andei, andei, andei. Cheguei ao fórum, fui comprar umas prendas para aniversários que se aproximam. Almocei peixe grelhado. E, barriga cheia e carregada de prendas, pus-me a caminho de casa. Foram mais de duas horas só para mim. E que bem que me fez!

16/02/2016

Para quê complicar?



Nós complicamos demasiado. Eu complico demasiado. Planos, esquemas, horários... Amanhã tenho que acordar às tantas, fazer isto, isto e aquilo, por esta ordem específica. Tenho que praticar yoga durante x minutos no mínimo, meditar y minutos, chego ao trabalho e tenho que organizar o dia, ver emails, ver calendário, seguir ordens pré-estabelecidas, senão a coisa já corre mal. Tenho que seguir um programa de treinos e ir ao ginásio fazer aquelas aulas específicas, senão sou uma preguiçosa e nunca na vida vou conseguir emagrecer os 3 kilos que me faltam. Tenho que escrever um artigo até esta data, imposta por mim, e como deadlines auto-impostas raramente funcionam, não consigo acabar a tempo e sinto-me culpada por ter falhado uma deadline que era, à partida, irrealista. Tenho que fazer estas aulas todas de yoga até a esta data, porque é um desafio para mim, e o que seria da vida sem desafios... Tenho que ser a melhor aluna do curso de psicologia (por acaso, por enquanto, até sou), porque, afinal, sendo já doutorada, tenho obrigação de ser melhor que os outros. Tenho que conseguir esticar as 24 horas do dia para conseguir enfiar lá dentro tudo aquilo que quero fazer. 

Estou a deixar de ver as coisas assim. Eu, tão minimalista numas coisas, parece que noutras, quanto mais complexo, melhor. Mas isso é uma ilusão. O que ganho com isso é stress. Deadlines auto-impostas, programas de yoga e de ginásio para os próximos 30 dias, dias planeados ao minuto. Estou farta. Não estou a dizer que o planeamento não é necessário. Para mim, é. Mas um dia de cada vez. Preocupar-me com um dia de cada vez. Não interessa o que é que vou comer amanhã nem quantos minutos tenho que meditar ao fim de semana. O que interessa é o aqui e o agora.

Levanto-me às 6 da manhã (nos últimos dias tem sido às 5h30). Não quero ter planos rígidos. Sei que quero fazer yoga e meditar. Vou para o tapete e começo. Não preciso ligar o computador nem pôr o timer no telemóvel. É deixar a coisa fluir. No trabalho o mesmo. Sei o que tenho para fazer. O que interessa é garantir que cada dia é produtivo. Não preciso de checklists. Admito ter uma lista de coisas que gosto de fazer todos os dias, todas as semanas e todos os meses, mas é mais para não me esquecer do que para me cobrar.

Nestas alturas volto sempre aos escritos do Leo Babauta. Sempre. E aos meus próprios escritos, como este. Parece que há alturas em que nos perdemos, mas o importante é reconhecer isso e voltar ao caminho certo. Eu quero uma vida simples. Até quero falar mais devagar (já dei por mim a falar demasiado depressa). Quero viver a vida um dia de cada vez e não fazer grandes planos para o futuro. Claro que é preciso pensar no futuro, mas quero seguir pela vida com uma bússola, não com um mapa. 

Um dos problemas é que nós, europeus, somos tão, mas tão influenciados pela cultura norte-americana, por aquelas personalidades tipo A, go-getters, que nos esquecemos que a vida aqui não é assim (felizmente). Até o Miracle Morning, que eu comecei a fazer, é pensado para a apressada sociedade norte-americana e não para a nossa. É só fazer, fazer, fazer... em vez de, simplesmente, estar. Sinto-me grata por perceber que não é assim que quero viver a minha vida. A obrigatoriedade de acordar a uma certa hora, de fazer estas coisas todas, só porque alguém escreveu num livro a dizer que é assim e até parece que resulta. Mas ler de manhã? Não consigo ler só 5 minutos... mas quem é que lê apenas durante 5 minutos ou menos?? Escrever no diário de manhã? Eu acordo com a cabeça vazia, não tenho nada a escrever de manhã... De noite sim, tenho todo um dia atrás de mim sobre o qual refletir.

Por isso, chega. Chega de stresses, de fazer grandes planos, de grandes organizações... Eu gosto de planear, sim, mas quero fazê-lo dia a dia - um dia de cada vez. Quando acordar, vou pensar: 

O que é que vou fazer hoje para ter um dia produtivo e maravilhoso? O que é que vou fazer hoje para continuar no caminho indicado pela minha bússola? 

Posso desviar-me mais para um lado ou para o outro, desde que continue a seguir a bússola. Sei o que quero fazer, sei o que tenho que fazer, sei o que devo fazer. É deixar tudo isso fluir naturalmente. Até arranjei uma agenda mais pequena... Mas isso ficará para um próximo post...

12/02/2016

Cinzento

Ontem. Hoje está tudo cinzento. O tempo e eu.

Hoje é um daqueles dias... A preguiça apoderou-se completamente de mim. Tenho imensas coisas para fazer, mas a vontade é nula. Estou em casa, sentada à secretária, em frente à janela, neste dia cinzento. Nem o mar consigo ver lá ao fundo. 

Se eu cobro demasiado a mim própria? Cobro, sem dúvida. Eu quero ser a melhor em tudo o que faço, quero conseguir fazer tudo o que me interessa, quero ter espaço e tempo para o meu ecletismo. 

Mas consigo? Consigo fazer tudo, quando quero, como quero? Claro que não. Os motivos são vários. Serão as minhas ambições realistas? Talvez não. Eu esforço-me o suficiente? Muitas vezes, não. Eu sou preguiçosa? Sou, sem dúvida. Tenho tanta coisa dentro da cabeça que por vezes não consigo ver o que está à minha frente? Muitas vezes, sim. Tenho as prioridades no sítio? Nem sempre. 

Há semanas que não toco piano. Há varios dias que acordo sempre tarde. Há vários dias também que a minha prática de yoga se resume às aulas, dadas e recebidas. Há alguns dias que não medito decentemente. Há meses que não ando de bicicleta. Há meses que ando a arrastar coisas no trabalho que não consigo acabar (nem tudo é mau, outras coisas correm surpreendentemente bem). 

As coisas são mesmo assim, embora eu insista que devam ser perfeitas. Mas a perfeição não existe.

Levar as coisas com calma. Deixá-las desenvolverem-se de forma mais orgânica, e não forçada. As coisas acontecem. Pode não ser quando e como eu planeei, mas elas acontecem. Ir fazendo, aos poucos. Não cobrar tanto de mim. Não me chatear comigo por não cumprir os planos. Não fazer planos. Viver um dia de cada vez - com a consciência que nesse dia estou a dar o meu melhor. E amanhã será outro dia.


04/02/2016

Refletindo e mudando coisas

dia de inverno no algarve..

Na sequência deste post e deste sentimento de assoberbamento que às vezes me atinge, continuei a eliminar mais coisas e a simplificar outras...

Deste vez, analisei bem a minha presença nas redes sociais. É facebook, é instagram, é sites profissionais (linkedin, academia, research gate e outros)... e isto é outra coisa que me deixa... assoberbada... 

Sinto uma enorme necessidade de simplificar, de ver menos coisas, de ter menos informação a chegar até mim. Volta e meia deixo de seguir pessoas no instagram. É fácil. Não é tão fácil deixar "amigos" no facebook, mas posso sempre escolher não ver as suas publicações no meu mural. É que há certas publicações que prefiro mesmo nem ver... 

E comecei também a pensar nas duas páginas que tenho no facebook, a do blog e a do yoga. Será que preciso mesmo de 2 páginas? Será que preciso mesmo de uma página sequer? Depois de muito refletir, decidi que vou, para já, eliminar a página do yoga. Eu tenho partilhado as minhas aulas e outras coisas também na página do blog, por isso não faz sentido ter duas páginas com os mesmos conteúdos... Mas será que quem segue a página do blog quer apanhar com coisas de yoga? O blog reflete os meus interesses no momento, e o yoga é um desses interesses. Por isso, acho natural fazer partilhas desta natureza na página do blog... e assim eliminar a outra - que é o que vou fazer em breve.

Em relação aos blogs que sigo, a lista é revista com frequência e é cada vez mais curta. Neste momento são 20 os blogs que tenho no reader. E felizmente que muitos deles são como o meu - raramente publicam novos posts!

O linkedin e outros que tais, sinceramente, acho uma seca... lá vou fazendo umas atualizações de vez em quando e chega!

Continuo a usar o Pinterest para guardar imagens que gosto. O meu painel mais ativo é o dos livros lidos! Este ano já vou em 8!

O Youtube também se tem revelado uma excelente fonte de informação, que pesquiso com frequência tanto para coisas pessoais como para o trabalho e estudos. Mas, felizmente, não perco lá muito tempo.

E de resto, não tenho usado mais nada, nem twiter, nem google+, nem foruns, nem nada... 

Até o meu tempo em frente à televisão é analisado com frequência. Há séries que gosto de ver e que faço questão de ver - Scandal, The X-Files, Os Mistérios de Laura, The Good Wife e Code Black. Agora que escrevi o que vejo, parece-me imenso!! Mas como aproveito sempre para passar a roupa a ferro enquanto vejo televisão, é tempo bem aproveitado...

Mas porquê esta revisão frequente da ocupação do tempo? Porque, simplesmente, quero mais tempo para outras coisas, bem mais importantes que estas. Quero mais tempo para mim, para estar sozinha com os meus pensamentos e com os meus livros, quero mais tempo para estar com a família, quero mais tempo para estudar, quero mais tempo para não fazer nada. Quero mais tempo para coisas que acrescentam valor à minha vida. 

As redes sociais, embora sejam, de facto, uma fonte de informação e de inspiração, não têm que ocupar um lugar central na nossa vida. Ir lá, de vez em quando, claro que sim... Mas entre perder 5 minutos a navegar no facebook ou usar esses 5 minutos para esticar as pernas, ou para fechar os olhos e observar a respiração, ou simplesmente para olhar pela janela e sonhar... acho que a escolha é óbvia, não?

01/02/2016

Preciso mesmo da vossa ajuda!



Venho mais uma vez pedir-vos ajuda para o tal estudo sobre o ambiente que estou a realizar, juntamente com colegas da Universidade do Algarve.

É um estudo da área da psicologia ambiental e, sendo psicologia, precisamos mesmo da ajuda... das pessoas!

O que vos peço, aos leitores portugueses, é o preenchimento de um questionário sobre o ambiente, ao qual podem aceder através deste link: http://goo.gl/forms/N5TQY6dFpK

O questionário é anónimo e demora uns 15-20 minutos a preencher. É um pouco chato, admito, mas a ciência é assim...

Por favor, participem e divulguem pelos vossos contactos! Ficarei muito agradecida!!

Mais criatividade em 2016

Escrevi o que se segue no início do ano, mas acabei por não publicar. Aqui fica, com comentários a verde escritos agora... onde partilho se tenho de facto feito o que propus ou nem por isso...

Uma das áreas da minha vida que quero acarinhar e desenvolver este ano é a criatividade. Naquela semana maravilhosa entre o Natal e a passagem de ano, peguei nos post-its e fui escrevendo o que me vinha à cabeça. Depois, organizei tudo numa folha A4.

Como é que vou ser mais criativa em 2016?

> vou escrever no meu diário todos os dias - gosto da ideia das Morning Pages e das listas de coisas pelas quais estamos gratos. 

Tenho escrito quase todos os dias. Experimentei diferentes alturas do dia para o fazer. Embora muitos autores recomendem escrever de manhã, para mim parece que resulta melhor à noite. Tenho mais para escrever e lembro-me bem das coisas pelas quais me sinto grata. Ajuda pôr os pensamentos, problemas, e outras coisas no papel antes de ir dormir. É como fazer um reset na cabeça. De manhã, tenho muito pouco que escrever. O que se passou no dia anterior já passou, já esqueci os problemas, e nunca consegui escrever as 3 Morning Pages, era demasiado. Comecei depois a escrever só um pouco, pois escrever no diário é um dos life savers referidos no livro que falei aqui. Mas mesmo assim, custa-me escrever de manhã. À noite, antes de dormir, é a minha altura preferida para tal.

> vou ler 1 livro por semana - eu costumo ler vários livros ao mesmo tempo e a ideia é ler não ficção durante o dia e ficção à noite (policiais, adoro policiais).

Desde o início de janeiro já li 7, e dois deles bem grossos (do José Rodrigues dos Santos). Estou agora no oitavo, que espero acabar esta semana (também do JRS). Tenho um painel no Pinterest onde coloco os livros lidos em cada ano - já faço este registo desde 2013!

> costurar - coisas para mim e para a casa; quero voltar a costurar!

E acabar uma mala que anda por lá há anos e ainda não acabei... Gostava de fazer roupa, umas saias simples, mas aqui o grande fator limitante é mesmo o tempo...

> escrever mais aqui no blog - vá, pelo menos um post por semana

Huummm... não tenho escrito muito... mas tenho gravado videos!

> tocar mais piano - há alturas em que toco todos os dias, outras fico semanas sem abrir o piano...

Não tenho tocado praticamente nada nas últimas semanas... ouvir música, isso ouço, bastante, agora tocar... está mais difícil... Mas a culpa é do piano que está desafinado. Tenho que chamar o afinador e depois pode ser que me entusiasme!

> ir a concertos e atividades culturais - Faro não se compara a Lisboa neste aspeto, mas há que aproveitar o que há; sempre que vou a um concerto de música clássica, venho de lá inspiradíssima!

Sim! Desde o início do ano já fomos a dois concertos! É para continuar!

> tirar fotos dos pequenos momentos do dia a dia - gosto mesmo disso; os gatos a dormir, uma flor, uma paisagem, os meus pés num chão bonito...

Já tirava e continuo a tirar. Algumas partilho no Instagram, outras ficam só para mim...

26/01/2016

Demasiadas escolhas


Temos demasiadas escolhas no nosso dia a dia. Vamos ao supermercado e é um corredor inteiro de bolachas. No centro comercial, dezenas e dezenas de lojas de roupa. Vamos comprar um telemóvel novo ou um computador e as escolhas são tantas que nem sabemos por onde começar... E de manhã para escolher a roupa? E nas livrarias ou na biblioteca, então, nem se fala! Como escolher um de entre tantos, tantos livros interessantes?

Ao termos tantas escolhas para fazer no nosso dia a dia, a força de vontade vai para essas coisas. E a força de vontade esgota-se. Estas escolhas sugam-nos a energia que mais tarde precisamos para decisões importantes. É por isso que o Barack Obama usa sempre o mesmo tipo de roupa todos os dias - para não gastar energia logo de manhã a escolher o que vai vestir e assim ficar com energia para tomar decisões muito mais importantes.

Eu também gasto demasiada energia todos os dias a tomar decisões que não interessam... a escolher a roupa que vou vestir, por exemplo. Por enquanto ainda não estou preparada para usar roupa semelhante todos os dias como o presidente Obama, mas posso cortar noutras decisões. 

No yoga, por exemplo. Todas as manhãs em que pratico yoga (e quando pratico à tarde também) perco demasiado tempo a decidir o que é que vou praticar. Se faço ashtanga ou outro estilo, se faço sozinha ou uma aula online, que site online usar, que professor escolher, que aula fazer... Desisto. Desisto de tomar esse tipo de decisão todos os dias. Desisto de passar horas (sim, horas) a navegar por sites de aulas de yoga, a ver as aulas, a fazer listas das aulas que quero fazer. Por isso, cancelei todas as minhas subscrições em sites de aulas de yoga online (continuo a adorá-los, sobretudo o Ekhart Yoga, que tantas vezes já falei aqui). Mas por agora tenho que parar com isso. 

De manhã, pratico ashtanga ou rocket yoga. Tenho 3 videos de hora e meia cada e a minha ideia sempre foi fazê-los cada um duas vezes por semana. Se quiser praticar mais, venha o youtube - a primeira aula que aparecer no youtube que me pareça adequada. Chega de perder tempo a tomar decisões destas.  E assim até poupo dinheiro. 

Estou a sentir uma necessidade imensa de eliminar coisas na minha vida. De vez em quando o bicho do minimalismo pica, e agora é uma dessas alturas. A minha vida é tão mais simples e saborosa com poucas coisas... 
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